RAMAL, Andréa Cecília
A autora começa seu texto definindo o que seria ‘dinamizador da inteligência coletiva’, e segundo ela essa será a tarefa do professor na escola do futuro, uma escola que não se baseará mais na transmissão do conhecimento, as verdades serão cada vez mais ‘transitórias’, cada indivíduo poderá ter acesso às mais variadas informações, que não mais ficará centralizada nas mãos de uma pessoa – o professor. Seu papel será o de liderar os processos – talvez os projetos – em caminhos investigativos no sentido da formulação da realidade então percebida pelo grupo que estará liderando, com suas percepções, valores, culturas, visões de mundo, etc., tudo isso em contato com a informação que a cybercultura lhes proporcionará. E estamos falando no tempo presente, porém muitas transformações nesse campo já estão sendo percebidas hoje, e a escola já está se tornando, por força da evolução, um local mais dinâmico e facilitador às iniciativas de interação entre grupos e comunicação entre os indivíduos.
Os elementos enumerados pela autora dentro dessa visão dão conta de definir então o dinamizador da inteligência coletiva segundo aspectos relacionados à liderança (‘responsável pelo gerenciamento de processos de construção cooperativa do saber’ – p.205), mudança/transformação que esse conceito proporciona (‘transformando grupos escolares heterogêneos em comunidades inteligentes, flexíveis, autônomas e felizes – p. 205), à questão da mudança em relação à avaliação (‘integrando as múltiplas competências dos estudantes cm base em diagnósticos permanentes’ p. 205), ao estímulo ao diálogo (‘convidando ao diálogo interdisciplinar e intercultural nas pesquisas realizadas, e finalmente em relação à relação espaço x tempo surgida (‘promovendo a abertura dos espaços e dos tempos de aprendizagem para além da sala de aula e estimulando a comunicação interpessoal por meio da pluralidade de linguagens e espressões’ p. 205).
Parece-me um pouco paradoxal a visão defendida pelo autor então de que esse processo proporciona que haja maior cooperação entre as pessoas, que haja colaboração entre os alunos e na relação do professor com eles, pois o uso da informática propicia a realização de tarefas à distância. Também há o fato do risco de dispersão em relação à Internet e as conexões que levam as pessoas a fazerem quase que automaticamente ao se depararem com um computador com acesso à rede. Sei que a amostragem pode não ser significativa para conclusões, que tais afirmações não se baseiam em dados empíricos, porém é difícil deixar de contar com essas possibilidades de comportamento das pessoas, e o professor (então ‘dinamizador da inteligência coletiva’) precisa estar preparado e atendo a essas dificuldades que podem surgir, ou até mesmo que hajam mecanismos sistematizados dentro do modelo que venham a dar conta de neutralizar as dificuldades que poderão surgir em função disso.Outra questão interessante levantada no texto é o ensino por projetos, algo que tem surgido muito em discussão, não somente no âmbito da educação, mas tambçem na esfera das organizações corporativas – gerenciamento por projetos; em princípio, parece uma idéia interessante de organização do ensino, mas por outro lado pode ser mais um modismo passageiro, pois somos (mercado) pródigos em definir formas e conceitos ‘diferentes’, transformá-los em verdades por um tempo muito curto, e depois desconstruí-las com a mesma velocidade que as criamos.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
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