quarta-feira, 18 de abril de 2007

DINAMIZADORES DA INTELIGÊNCIA COLETIVA

RAMAL, Andréa Cecília

A autora começa seu texto definindo o que seria ‘dinamizador da inteligência coletiva’, e segundo ela essa será a tarefa do professor na escola do futuro, uma escola que não se baseará mais na transmissão do conhecimento, as verdades serão cada vez mais ‘transitórias’, cada indivíduo poderá ter acesso às mais variadas informações, que não mais ficará centralizada nas mãos de uma pessoa – o professor. Seu papel será o de liderar os processos – talvez os projetos – em caminhos investigativos no sentido da formulação da realidade então percebida pelo grupo que estará liderando, com suas percepções, valores, culturas, visões de mundo, etc., tudo isso em contato com a informação que a cybercultura lhes proporcionará. E estamos falando no tempo presente, porém muitas transformações nesse campo já estão sendo percebidas hoje, e a escola já está se tornando, por força da evolução, um local mais dinâmico e facilitador às iniciativas de interação entre grupos e comunicação entre os indivíduos.
Os elementos enumerados pela autora dentro dessa visão dão conta de definir então o dinamizador da inteligência coletiva segundo aspectos relacionados à liderança (‘responsável pelo gerenciamento de processos de construção cooperativa do saber’ – p.205), mudança/transformação que esse conceito proporciona (‘transformando grupos escolares heterogêneos em comunidades inteligentes, flexíveis, autônomas e felizes – p. 205), à questão da mudança em relação à avaliação (‘integrando as múltiplas competências dos estudantes cm base em diagnósticos permanentes’ p. 205), ao estímulo ao diálogo (‘convidando ao diálogo interdisciplinar e intercultural nas pesquisas realizadas, e finalmente em relação à relação espaço x tempo surgida (‘promovendo a abertura dos espaços e dos tempos de aprendizagem para além da sala de aula e estimulando a comunicação interpessoal por meio da pluralidade de linguagens e espressões’ p. 205).

Parece-me um pouco paradoxal a visão defendida pelo autor então de que esse processo proporciona que haja maior cooperação entre as pessoas, que haja colaboração entre os alunos e na relação do professor com eles, pois o uso da informática propicia a realização de tarefas à distância. Também há o fato do risco de dispersão em relação à Internet e as conexões que levam as pessoas a fazerem quase que automaticamente ao se depararem com um computador com acesso à rede. Sei que a amostragem pode não ser significativa para conclusões, que tais afirmações não se baseiam em dados empíricos, porém é difícil deixar de contar com essas possibilidades de comportamento das pessoas, e o professor (então ‘dinamizador da inteligência coletiva’) precisa estar preparado e atendo a essas dificuldades que podem surgir, ou até mesmo que hajam mecanismos sistematizados dentro do modelo que venham a dar conta de neutralizar as dificuldades que poderão surgir em função disso.Outra questão interessante levantada no texto é o ensino por projetos, algo que tem surgido muito em discussão, não somente no âmbito da educação, mas tambçem na esfera das organizações corporativas – gerenciamento por projetos; em princípio, parece uma idéia interessante de organização do ensino, mas por outro lado pode ser mais um modismo passageiro, pois somos (mercado) pródigos em definir formas e conceitos ‘diferentes’, transformá-los em verdades por um tempo muito curto, e depois desconstruí-las com a mesma velocidade que as criamos.

domingo, 1 de abril de 2007

PERGUNTA REFERENTE AO SEGUNDO TEXTO

Se há uma ameaça tão forte ao equilíbrio do planeta, porque então não acontecem ações afirmativas em âmbito mundial para tentativa de reversão? Se a rede de informações é tão eficiente para equalizar informações, porque não se chega a um consenso sobre ecologia, já que a princípio estaríamos todos ‘bem informados’?

RESENHA DO SEGUNDO TEXTO

CIBERCULTURA

Para fazer frente ao grande avanço demográfico dos dias atuais e poder haver inclusão, pensando numa alternativa que considere a existência de todos os seres humanos, a comunicação surge como a melhor alternativa de política global, e especificamente pensando nessa possibilidade, não há outra forma de comunicação que possa ser mais eficiente e eficaz do que as telecomunicações, pelas inúmeras possibilidades surgidas por meio dessa forma, dispostos principalmente pela rápida evolução tecnológica que vemos surgir nos últimos tempos. Em particular, penso que as telecomunicações têm alcançado resultados muito expressivos no aspecto da inclusão também, pois até mesmo em economias pouco desenvolvidas, como a nossa, e num cenário econômico de concentração de renda expressiva, se consiga disponibilizar alternativas de tecnologias de informação no campo das telecomunicações, como no caso da telefonia móvel, onde há ofertas para todas as camadas da população praticamente.. acho um exemplo interessante de inclusão dentro de uma sociedade de consumo desigual em oportunidades e concentração de renda.
O autor defende a hipótese de que “a cibercultura expressa o surgimento de um novo universal, diferente das formas culturais que vieram antes dele no sentido de que ele se constrói sobre a indeterminação de um sentido global qualquer” (p. 15). A cibercultura proporcionaria uma universalidade diferente, sem a necessidade da auto-suficiência dos textos, mas sim pelo caráter inovador das interconexões e formações dinâmicas de sentidos e significações, onde cada leitor de uma mensagem pode interpretar a sua maneira o texto. E exatamente por esse caráter dinâmico e de múltiplas possibilidades, é que se torna intotalizável, e aí reside a maior fascinação e as inquietações que nos fazem refletir e até mesmo ‘resistir’ ao movimento.. a idéia de não termos controle sobre determinado assunto sempre tem um caráter ‘ameaçador’, vivemos sob a presunção de sermos dominadores e ‘senhores do universo’, e então procuramos negar uma novidade, mesmo que por vezes de forma paradoxal, pois em muitas ocasiões estamos nos beneficiando diretamente, e em outras temos a sensação de estarmos sendo prejudicados.
Se a avalanche das inovações tecnológicas é uma tendência inevitável, talvez a humanidade possa então buscar formas de convivência que comportem esse amplo contato com as mais diversas formas a que estamos sujeitos, pois surge cada vez mais expressivamente a necessidade de sustentabilidade da tecnologia com o equilíbrio natural do planeta. Embora as questões voltadas à educação sejam fortemente enfocadas pelo autor, penso que o aspecto da convivência entre tecnologia e equilíbrio natural seja algo que devamos encarar como dos mais importantes. A solução para o problema que estamos tendo nesse campo passa inegavelmente por conscientização e convencimento das reais possibilidades a que estamos submetidos no tempo presente e futuro muito próximo; enfim, a continuidade da vida no planeta precisa também é uma questão atual, e por que não tratá-la no âmbito da educação?
Nesse contexto, pensando sobre o que o autor defende: “Defendo, ao contrário, que a técnica é um ângulo de análise dos sistemas sócio-técnicos globais... ...e não uma entidade real, que existiria independentemente do resto, que teria efeitos distintos e agiria por vontade própria” (p. 22), penso que as ações necessárias para o sucesso da convivência amigável entre as diversas formas de tecnologia e o equilíbrio ambiental dependem somente das pessoas, que nenhuma tecnologia possui ‘vida própria’, que a escolha está em nós, e que talvez tenhamos nos tornado dependentes da tecnologia.



REFERÊNCIAS:
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34. 1999.